ONU: Organização das Nações (des)Unidas

Fundada em 1945, por cinco países procedentes da II Guerra Mundial – França, Reino Unido, China, União Soviética (URSS) e Estados Unidos – a ONU passa por dificuldades em estabelecer limites.

Após 60 anos de sua criação, o mais respeitável órgão de debate e encaminhamentos multilateral dos problemas mundiais, perde um pouco da “voz ativa” e não consegue impedir decisões tomadas por grandes potências mundiais.

Essa barreira de respeito foi quebrada em 2003, quando uma suposta “bomba” poderia estar sobre o comando de Saddam Hussein, os EUA e o Reino Unido invadiram o Iraque passando por cima da decisão contrária da ONU. O caso mais recente ocorreu no final de 2008, quando Israel e Palestinos entraram em conflito, pouco importou a tentativa da organização em impedi-los.

A Organização das Nações Unidas ganhou grande respeito pelo mundo inteiro pela seriedade em tratar de questões como a saúde, meio ambiente, pobreza, além de diversos estudos e campanhas em favor de mulheres, crianças e diversos assuntos de extrema importância, porém perdeu o espaço nas questões transnacionais, sua estrutura ainda parece baseada numa realidade de 60 anos atrás, quando foi fundada.

Essa parece uma crise pela qual a ONU passa, logo no começo de 2009, as 192 nações que hoje fazem parte da organização, discutem sobre possibilidades de reformas, essas discussões parecem se estender até o fim de 2010, porém há quem diga que uma breve reforma não retoma a integridade e o respeito das nações sobre o globo, ainda existe muito sobre o que redefinir e conversar.

Das diversas propostas em questão está a ampliação do Conselho de Segurança, que pode passar de 15 membros para até 26. Os membros permanentes atuais do CS são os mesmos que compõem a criação da ONU, mais 10 membros rotativos que são trocados a cada dois anos.

O problema fundamental pelo qual a reforma ainda não foi pregada é que dentre os países que lideram a formação da organização, estava o ex-presidente dos Estados Unidos (George W. Bush), que foi contra qualquer tipo de mudança.

Após a posse de Barack Obama as expectativas foram retomadas, cabe agora ao novo presidente assumir posições contrarias ao governo anterior em relação às propostas.

Quando a água vira motivo de guerra

O ouro pode ser encontrado em rios, na maioria das vezes em forma de poeira fina proveniente do desgaste de rochas vulcânicas.

O petróleo, fonte de rica importância mundial, pode ser trocado por outras fontes de energia no combate a sua escassez.

A água ocupa 1,39 bilhão de km cúbicos em todo o planeta, desse volume, somente 104,59 mil km cúbicos é de água doce superficial.

Você deve estar se perguntando o que o ouro e o petróleo tem a ver com a água.

Quando falamos de riquezas naturais, logo pensamos nos três itens citados, mas quando se trata de uma crise financeira mundial o caso da água se inverte. Água não se substitui, nem tampouco se fabrica, e ainda ocupa 60% do corpo humano, sendo assim um direito de todos nós. Além dos 60% de água em nosso organismo, contamos com ela para matar a sede, cuidar da higiene, produzir alimentos, gerar energia e bens industriais. Mas nem todos possuem o privilégio de desfrutar dessa abundância universal.

Desde o inicio das civilizações, os recursos hídricos eram foco de guerras, hoje, em pleno século XXI, esses conflitos milenares continuam. Essa escassez chega a provocar guerras civis e revoltas populares, como ocorreu na Índia, em 2007, fazendeiros invadiram o reservatório de Hirakud, revoltados com a quantidade de água destinada ás indústrias. Mas o assunto também parece não se resolver na base de tratados, nos últimos anos já foram estabelecidos mais de 400 acordos mundiais para o uso correto e justo dos recursos hídricos.

Essa justiça é praticamente inexistente quando nos referimos aos angolanos, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2006, um americano consome diariamente a quantidade de água que 29 angolanos precisam dividir entre si. Logo esse direito transforma-se em mercadoria e a cobrança pelo uso da água deixa de ser um absurdo e passa a ser realidade.

Imagine se a água passa a ser de um direito universal para commodity, sendo acessível somente as pessoas que possam pagar. Isso já acontece na França, Alemanha e no Reino Unido.

No Brasil, o valor da conta mensal de água refere-se ao custo de tratamento e distribuição, mas a ideia de cobrança já chegou aqui no final da década de 1990. O resultado foi que poucos aprovaram a lei, o primeiro a aprovar foi o Ceara, totalmente prejudicado pelas secas.

O maior problema da água no Brasil, é o acesso desigual, enquanto em algumas cidades a água é abundante, em outras a seca gera mortes.

A população mundial aumentou muito nos últimos 10 anos, a economia global também subiu e por incrível que pareça, países enriquecendo também significa indústrias e agricultura crescendo, os maiores consumidores de água no planeta. Mas essa riqueza muda rapidamente à história quando olhamos o outro lado, se a água não for tratada, distribuída e utilizada adequadamente, a população adoece e não consegue trabalhar, a falta de trabalhadores e de saúde interfere diretamente a capacidade de uma sociedade enriquecer.