O mal da Urbanização

A palavra “cidade” segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira quer dizer uma concentração populacional, industrial, mercantil, financeira e cultural, a mesma palavra á alguns séculos atrás era sinônimo de superpovoamento, condições sanitárias precárias, descuido ambiental e ainda doenças epidêmicas ceifando vidas dos migrantes vindos do campo.

Hoje podemos dar o mesmo significado, mas acrescentando um pouco mais de trânsito, favelas, desabrigados, lixões, doenças, estresse, poluição e desigualdade.

Um dos cálculos feito pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Urbanos (UN Habitat) explica: “No ano passado, boa parte dos 6,6 bilhões da população mundial vivia em cidades”. A Tendência é aumentar, demonstra um relatório da ONU: “Em 1950, um terço das pessoas vivia em cidades. Apenas 50 anos depois, isso aumentou para 50%, e continuará a crescer até alcançar dois terços, ou 6 bilhões de pessoas, em 2050”.

Cidades são atraentes, morar em uma garante acesso á escolas, hospitais, alimentos, transportes, mais oportunidades de emprego, cultura, lazer e conforto. O problema é que a concentração no meio urbano é muito alta em países geralmente pobres, resultando grandes necessidades de recursos nas cidades sem estrutura para abrigar certa quantidade de pessoas. Os recursos são precários na sustentação dessa concentração populacional, os problemas são evidentes: Fome, pobreza, criminalidade, violência, e doenças contagiosas. Essa migração para o meio urbano também é a causa das cenas dramáticas vistas diariamente nos jornais e na TV.

Em 1976, uma agência especializada nesta área foi criada pela ONU, junto com uma conferência: Habitat I. Em 1996 nasce a Habitat II e 171 países assinam um documento que define diversas convenções, beneficiando os direitos econômicos, culturais, infantis, sociais, racial, feminino e qualquer discriminação ou abuso contra os direitos humanos.

A solução para o caos ambiental e social nas atuais megacidades poderiam ser aplicadas com políticas públicas que estimulassem um uso moderado de energia e água, a atenção sobre os desabrigados e as favelas aumentada para que diminuísse a sobrecarga da infra-estrutura urbana, ajudando até a diminuição da violência e da criminalidade.