Rede Globo apóia a não obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalismo

João Roberto Marinho, vice-presidente da Rede Globo, abriu um comentário sobre a decisão do Superior Tribunal Federal que desvalorizava o diploma na profissão de jornalismo:

“A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o diploma de jornalista é bem-vinda. Ela atesta como legal situação vivida por órgãos de imprensa, que, há anos, têm na sua equipe especialistas de outras áreas, com talento reconhecido, mas que não se formaram na profissão. A decisão do STF apenas ratifica uma prática que sempre foi nossa.”

Após a decisão da STF muitos estudantes se sentiram prejudicados e dizem ter trancado a faculdade, outros desistiram mesmo antes de começar. Josemar Gimenez, dos Diários Associados afirma: “Continuarei contratando apenas pessoas com formação”.

Tudo afirma que o profissional diplomado terá vantagem no mercado, o que não modifica a questão de ter cada vez mais concorrentes a partir dessa nova decisão.

O repórter do iG e da revista Brasileiros, Ricardo Kotscho, também teve a sua vez, e deixou seu recado:

“Com o fim da lei de Imprensa, que todos queriam, e da regulamentação da profissão, sem colocar nada no lugar, o exercício do jornalismo agora virou uma terra sem lei. Acho que esta discussão deveria prosseguir para que alguma regra do jogo seja estabelecida, em defesa das empresas e dos profissionais sérios e, principalmente, dos cidadãos, do conjunto da sociedade”.

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Qualquer um pode ser jornalista?

“STF derruba exigência do diploma para o exercício do jornalismo”

Após 40 anos de luta numa conquista que abrange desde os jornalistas até todos os estudantes e interessados pelo assunto, o julgamento realizado nesta quarta-feira terminou tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão.

“No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.”

A comparação é extremamente desgostosa no ponto de vista de milhares de pessoas, são áreas completamente diferentes, lembremos que jornalistas são os mestres da informação, quem gera as impressões mais influentes através da mídia, o que requer uma responsabilidade imensa.

Uma das profissões que possuem cada vez mais recursos (revistas, livros, jornais, televisão, rádio, internet) e cada vez mais concorrentes, a capacidade redatora e investigativa, representada pela cultura geral, ou mesmo o conhecimento da língua, os preceitos éticos não faz de ninguém um grande jornalista reconhecido. Ter um diploma é o mínimo para essa grande carreira. E deve ser obrigatório SIM!

A indignação da desvalorização veio montada em uma frase bem feita de Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma: “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”.

A Federação Nacional dos Jornalistas prosseguirão com o movimento em defesa do diploma, agora, com mais intensidade.