A Prática da Tolerância

Os homens costumam ter os mais diversos critérios de organização, divisão e separação das coisas, é um dos seres com a maior capacidade ética em relação aos outros animais, porém é o único capaz de subdividir sua própria espécie.

Todos divididos pela cor, tamanho e comprimento. A religião define quem mais se aproxima de Deus, o dinheiro divide o rico dos miseráveis, a política separa o forte dos fracos, a moda e a cultura classificam as origens, e apenas a etnia foi capaz de arrastar séculos de escravidão e inferioridade. Contudo a maior preocupação ficou centralizada no ato de comparar as pessoas umas ás outras.

Aquilo que deveria fazer parte de uma cultura rica e diversificada é visto com escárnio por alguns também denominados por “preconceituosos”. O preconceito também se tornou uma espécie de separação.

O Brasil com seu título “livre de expressão” não é totalmente livre de intolerância, não haveria tanta morte executada por torcedores de futebol, nem tantos jovens sofrendo agressões físicas pelo modo de se vestir até os dias de hoje.

Na atualidade, o fanatismo é uma das doenças mais perigosas da humanidade, foi a causa das perseguições mais cruéis e inumanas já vistas, é o maior exemplo de que existem pessoas que não aceitam idéias contrárias, é um egoísmo conceitual, que em prática prefere tirar a vida a aceitar outras visões.

A sociedade se multiplica, e proporcionalmente as diversidades ficam maiores, diminuindo a tensão entre o estranhamento, porém o preconceito ainda é algo que choca, mas que junto com a tolerância pode tornar-se insignificante se os indivíduos deixarem as diferenças, e adotarem a ética quando forem tratar de um assunto tão milenar e delicado na história humana.

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É tempo de segunda chance

Como se tivéssemos renascido após a segunda guerra mundial, após o 11 de setembro e algumas outras guerras religiosas, econômicas, políticas, raciais e civis. Como se tivéssemos brotado da bomba atômica, recuperados o fôlego dos conflitos e as sombras do muro de Berlim. Estamos na era da segunda chance. Da meia volta.

Aquela historia de começar tudo de novo deve ter invadido o espírito dos tratados, acordos, experiências cientificas, mesas cirúrgicas, aviões terroristas, parlamentos, casas, prédios, palácios, tudo!

Só é difícil caracterizar essa segunda chance.

É como precisar relembrar do holocausto para que ele não aconteça novamente. Como se o medo impedisse que a segunda chance seja um fracasso como a primeira. E todo mundo continua tentando nas mesmas coisas: votam no mesmo político ladrão, compram todo mês a prestação sabendo que mais tarde vai ser um sufoco para pagar, fazem uma segunda cirurgia plástica para corrigir a primeira que deu errado… É sempre a mesma tecla, o mesmo fascínio, quase que um “como se fosse a primeira vez”.

É tempo de roubar respostas de provas (Como roubaram no ENEM), afinal, se não der certo, dois meses depois haverá outra. Eu ficaria admirada se nunca tivessem pensado nisso, ganhar 500 mil por um gabarito…

Até gripe suína é resultado de segunda chance, me parece que esse planeta já teve umas boas pandemias. E o resultado disso tudo é a preocupação totalizada sobre as possíveis curas e pesquisas da AIDS, quando percebemos, estávamos todos tentando mudar pra um canal de TV que não alertasse: “Gripe suína espalha-se por mais um país!”. Logo ninguém aguentava mais ouvir sobre o assunto e boa parte da população ia adquirir sua mascara nas farmácias mais próximas.
Diferente de alguns anos atrás, estamos no tempo do divórcio, de ter filhos de pais diferentes ao decorrer da vida, de ser “de menor”, de cometer delitos e de não ser punido, de matar, ser condenado, julgado e livre.

É tempo de trocar os títulos, de chamar de segunda chance o que nos bons tempos chamariam de vexame.

O mal da Urbanização

A palavra “cidade” segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira quer dizer uma concentração populacional, industrial, mercantil, financeira e cultural, a mesma palavra á alguns séculos atrás era sinônimo de superpovoamento, condições sanitárias precárias, descuido ambiental e ainda doenças epidêmicas ceifando vidas dos migrantes vindos do campo.

Hoje podemos dar o mesmo significado, mas acrescentando um pouco mais de trânsito, favelas, desabrigados, lixões, doenças, estresse, poluição e desigualdade.

Um dos cálculos feito pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Urbanos (UN Habitat) explica: “No ano passado, boa parte dos 6,6 bilhões da população mundial vivia em cidades”. A Tendência é aumentar, demonstra um relatório da ONU: “Em 1950, um terço das pessoas vivia em cidades. Apenas 50 anos depois, isso aumentou para 50%, e continuará a crescer até alcançar dois terços, ou 6 bilhões de pessoas, em 2050”.

Cidades são atraentes, morar em uma garante acesso á escolas, hospitais, alimentos, transportes, mais oportunidades de emprego, cultura, lazer e conforto. O problema é que a concentração no meio urbano é muito alta em países geralmente pobres, resultando grandes necessidades de recursos nas cidades sem estrutura para abrigar certa quantidade de pessoas. Os recursos são precários na sustentação dessa concentração populacional, os problemas são evidentes: Fome, pobreza, criminalidade, violência, e doenças contagiosas. Essa migração para o meio urbano também é a causa das cenas dramáticas vistas diariamente nos jornais e na TV.

Em 1976, uma agência especializada nesta área foi criada pela ONU, junto com uma conferência: Habitat I. Em 1996 nasce a Habitat II e 171 países assinam um documento que define diversas convenções, beneficiando os direitos econômicos, culturais, infantis, sociais, racial, feminino e qualquer discriminação ou abuso contra os direitos humanos.

A solução para o caos ambiental e social nas atuais megacidades poderiam ser aplicadas com políticas públicas que estimulassem um uso moderado de energia e água, a atenção sobre os desabrigados e as favelas aumentada para que diminuísse a sobrecarga da infra-estrutura urbana, ajudando até a diminuição da violência e da criminalidade.

Violência de mais X Educação de menos

Centenas de páginas e manchetes são impressas diariamente apontando os mais diversos crimes, atentados e mortes. De nada adiantaria selecionar alguns exemplos recentes para dar inicio ao assunto que vem a seguir, mas fica claro ao ligar a televisão para sentir o caos que muitos sofrem pela violência em um país com sérios problemas em estabelecer limites como o Brasil.
Os índices de mortalidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram, só em 2005, um total de 125,8 mil mortes não naturais, dentre elas, 37,1% provocadas por homicídio. Há 25 anos atrás, esse número era de 19,8%, o que indica que a violência dobrou.
É possível afirmar que o maior número desses atentados são causados por homens jovens. Conforme o Levantamento Nacional do Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei (Ver documento) , o total de infratores de menor internados no Brasil é de 15.426, sendo que, 85% cometem atos contra o patrimônio (roubos), 14% delitos contra a vida e ao menos 1% cometem crimes gravíssimos.
E como são julgados os jovens no Brasil? Aqui a pena máxima para o menor de idade é de 3 anos, e ela é cumprida em instituições especiais. Em países como a Inglaterra e a Polônia, o adolescente pode sofrer as conseqüências como um adulto, de acordo com o que o juiz decidir. Nos EUA, são 26 estados os que não adotam uma maioridade penal, lá os criminosos são tratados igualmente, independente da idade do indivíduo.
O Brasil não tem condições para adotar medidas rígidas, até porque, de leis não cumpridas estamos lotados, mas de fato a maioridade penal (18 anos) imposta no nosso país é um absurdo ao que vivemos atualmente. Quando ela foi estabelecida, o país estava em sua fase ainda “rural”, continha uma população reduzida e um índice de criminalidade muito menor ao que vemos hoje. Conforme o mapa da violência o número de homicídios subiu 48,4% entre 1994 e 2004 – período em que a população aumentou 16,5%, o que nos leva a questão de como mudar as medidas, depois de tanto tempo instalada. Mas o fato é que o jovem também está morrendo mais cedo, exposto a violência que outros adolescentes comentem. Estaríamos na geração onde o jovem está ligado fortemente aos fatores de risco urbano? De alguma forma a palavra “educação” me vem montada junto a frase como resposta. Mas, de que educação estamos falando? Dados de 2006 do IBGE mostram que apesar de 82,2% nos “estudantes” entre 15 e 17 anos estarem matriculados na escola, somente 47% deles a freqüentavam. Não fica difícil de imaginar porque eles estão cada vez mais expostos as ruas, às vezes, por dificuldades financeira familiar em busca de trabalho (ou não). Vendo os resultados do Relatório Anual do Escritório da ONU para Drogas e Crimes (UNODC), em 2005 o narcotráfico movimentou 320 bilhões de dólares no mundo, o que nos dá a idéia do giro de drogas entre os marginais. O uso dessas drogas é o que ajuda a aumentar ainda mais o número de mortes e a violência no mundo. O Mapa da violência dos Municípios Brasileiros, divulgado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) indica que o número de homicídios diminuiu 5% entre 2003 e 2004, essa redução pode ser justificada pela campanha de desarmamento que causara impacto aos portadores de armas ilegais. As estatísticas do IBGE apontam que de 2002 a 2006 a proporção de mortes por causas violentas caiu 1%, o que ainda não sossega os medos e a insegurança que cultivamos dia-a-dia.
Contudo, o Brasil segue seu ranking em busca do topo pelos danos por menores anualmente, e enquanto o espírito de passar a mão na cabeça continuar vigorando, vamos continuar vendo pequenos sem-vergonhas soltos pelas ruas sendo comandados por grandes sem-vergonhas que vão continuar “convertendo” crianças de rua para o crime causando cada vez mais mortes.

Os cigarros do marketing infantil

No dia 8 de maio de 2003, foi determinada uma nova LEI que visava proibir a venda de alimentos em forma de cigarros, charutos ou qualquer outro produto derivado do fumo. Seis anos depois, a ideia de associar tabagismo aos doces soa de uma forma estranha e absurda, mas vale lembrar um dos grandes sucessos das décadas passadas:

A imagem do tabaco também era encontrada em desenhos animados e brinquedos da época.